quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um Texto Sem Graça

Sem graça sim, pois fazia algum tempo que já não sabia brincar com carros de brinquedo ou bonecos de luta. Talvez uns quatorze anos. Mesmo a lembrança de tal entretenimento estava meio turva, principalmente porque a ansiedade lhe corroera por dentro.

Se a universidade cumprisse com o calendário acadêmico, talvez isto não estivesse acontecendo, talvez este texto não fosse tão sem graça. Se seu tempo começa a deixar de existir por não ter referências, como por exemplos, coisas a fazer, ele começar a existir muito mais do que antes, só que agora, angustiante...
Porque, na verdade, as coisas instantaneamente boas não satisfazem mais do que elas duram. Namorar acaba com o próprio prazer de namorar minutos depois. Uma bebida acaba rápido demais, uma xícara de café te deixa ainda mais tenso, para variar. Humor cansa. Estudar se torna massacrante, a leitura vira a vontade da audição, a audição se torna uma vontade de não precisar entender o que se ouve. É o avesso total das funções normais. As musicas repetidas são enjoativas, as novas são ruins, as próprias são para outro momento. A composição não acontece, as notas não dizem nada.

A velocidade leva à redução, leva ao retorno, ao quebra-molas. As ruas só mostram saídas, as ruas expulsam da rua. O verbo não se verbaliza, o texto se descontextualiza, a vontade se torna um desespero, o desespero do devir, do tornar-se, do vir a ser... Aquele novo tempo torna-se a promessa do momento seguinte, uma salvação tardia e um remorso infeliz daquele passado preso na mancha das costas da camiseta.

A vida sem movimento torna-se um texto chato pra porra!
Um texto sem graça.

Um comentário:

  1. Relendo estas palavras quatro anos depois, vemos que tudo isso resume-se à falta do que fazer.
    :D
    Beijos.

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