terça-feira, 27 de julho de 2010

A vida doce do Lobão, em pedaços.

Suas lágrimas que nunca brotaram Inundam sua alma, inundam sua alma.


Eu sou Nada e é isso que me convém Eu sou o sub-do-mundo e o que será que me detém?


Eu sou o Tenebroso, o Irmão sem irmão,
o Abandono, Inconsolado,
o Sol negro
da melancolia


Eu sou Ninguém, a Calma sem alma
que assola, atordoa e vem
No desmaio do final
de cada dia


Eu sou a Execução, a Perfuração
O Terror da próxima edição dos jornais
Que me gritam, me devassam e me silenciam


No espelho assistia à própria dor
De lembrar
Na sala vazia, a televisão ligada
Uma tentação de existir


Se ao menos, tanta coisa que se
Vive junto não evaporasse assim
Se, ao menos, na hora dela me deixar
Precisasse um pouco mais de mim
Se, ao menos, no escuro eu
Conseguisse apagar
Dormir sem sonhar, apenas
Dormir sem sonhar...


Uma, duas, três, já eram quatro da manhã
E eu andando por aí desde que anoiteceu
Perambulando na calçada de bar em bar
Tentando achar alguma coisa para me esquecer
Me distrair ou amanhecer
Ou alguém legal pra me abandonar
Pra enlouquecer um pouquinho ou talvez,
Ou um montão, sei lá
Foi aí então que eu te encontrei
Absolutamente pronta para arrebentar
Com os corações dos desavisados
Procurando alguma presa para estraçalharParei, pensei, filosofei
Há sempre uma outra pose por trás de quem posa
Mas ela posa bem, e como um animal rastejador, te perguntei
Ta a fim de ir para o Universo Paralelo?
Ta a fim de arrebentar no Universo Paralelo?
E de repente o telefone toca e é você
Do outro lado me ligando, devolvendo minha insônia
Minhas bobagens
Com a mesma falta de vergonha na cara eu procurava
alento no
Seu último vestígio, no território, da sua presença
Impregnando tudo tudo que
Eu não posso, nem quero, deixar que me abandone

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