Como Wander Wildner, eu não consigo ser alegre o tempo inteiro:
sábado, 12 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
. .
Uma vez um homem (Cião) estava tão atraído, sugado e apaixonado por uma mulher (Ava) que ele estava condicionado a viver em função dela. Começou a agonia e embrulho, a tragédia: ela era terrivel, precisa e legitmamente lésbica. Ele recorreu então ao que representava para ele o seu deus, uma arvore específica. Ele pediu para que seu deus o transformasse numa mulher atraente. Comeu de uma fruta da mesma árvore e tornou-se de fato uma incrível mulher. Mas, depois do pedido realizado, ele (Cião) pôde ver todos os seres que já fizeram algum pedido da maneira que eles eram de verdade, antes de também fazerem seus pedidos a seus deuses. A mulher (Ava) por quem ele estava fortemente obcecado era um homem. Ele (Cião) não podia mais vê-lo ("Ava") sem o "disfarce" concebido pelo seu deus. A coisa de não mais ver sem disfarces caia na verdade sobre qualquer um que fazia pedidos aos deuses, era um preço a ser pago. O nome Ava era na verdade Ivan.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
EMPREGO NO BRASIL
TO PAGANDO MINHA LÍNGUA FEIO, OS FAMOSOS FWD, AS CORRENTES DE EMAIL, NÃO SÃO TÃO BABACAS QUANTO EU ESCANCARAVA:
ESTA É A REALIDADE DO NOSSO PAÍS!
-EMPREGUINHO-
Um sujeito vai visitar um amigo deputado federal e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do 1º grau.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito bom...
- Quanto doutor?
- Pouco mais de 10 mil reais!
- Dez Mil!!!!???? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o que fazer com tudo isso não, doutor!!!! Não tem uma vaguinha mais modesta?
- Só se for para trabalhar na assembléia. Meio período e eles estão pagando só 7 mil!
- Ainda é muito doutor! Isso vai acabar estragando o menino!
- Bom, então tenho uma de consultor. Estão pagando 5 mil reais por mês, serve?
- Isso tudo é muito ainda, doutor. O Senhor não tem um emprego que pagasse uns mil e quinhentos ou até dois mil reais???
- Ter até tenho, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pós-graduação ou mestrado, bons conhecimentos em informática, domínio da língua portuguesa, fluência em inglês e espanhol e conhecimentos gerais. Além do mais ele terá que COMPARECER AO TRABALHO TODOS OS DIAS...
ESTA É A REALIDADE DO NOSSO PAÍS!
-EMPREGUINHO-
Um sujeito vai visitar um amigo deputado federal e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do 1º grau.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito bom...
- Quanto doutor?
- Pouco mais de 10 mil reais!
- Dez Mil!!!!???? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o que fazer com tudo isso não, doutor!!!! Não tem uma vaguinha mais modesta?
- Só se for para trabalhar na assembléia. Meio período e eles estão pagando só 7 mil!
- Ainda é muito doutor! Isso vai acabar estragando o menino!
- Bom, então tenho uma de consultor. Estão pagando 5 mil reais por mês, serve?
- Isso tudo é muito ainda, doutor. O Senhor não tem um emprego que pagasse uns mil e quinhentos ou até dois mil reais???
- Ter até tenho, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pós-graduação ou mestrado, bons conhecimentos em informática, domínio da língua portuguesa, fluência em inglês e espanhol e conhecimentos gerais. Além do mais ele terá que COMPARECER AO TRABALHO TODOS OS DIAS...
terça-feira, 25 de maio de 2010
de OSCAR WILDE - O RETRATO DE DORIAN GRAY (um fragmento)
(...)
- Porquê?
- Porque tem uma juventude deslumbrante, e a juventude é a única
coisa que vale a pena ter.
- Não penso assim, Lord Henry.
- Pois não, não pensa assim agora. Um dia, quando for velho, enrugado e feio, quando o pensamento lhe tiver sulcado a fronte de rugas, e a paixão, com suas chamas medonhas, lhe tiver crestado os lábios, sentirá então uma impressão terrível. Agora, aonde quer que vá, consegue seduzir todas as pessoas. Mas será sempre assim? Tem um rosto de beleza deslumbrante, Mr. Gray. Não precisa fazer esse ar tão contrariado. É verdade. E a Beleza uma forma de Gênio, sendo mesmo superior ao gênio, pois não necessita de ser explicada. Ela faz parte dos grandes elementos do universo, como a luz do sol, a Primavera, ou o reflexo nas águas noturnas, dessa concha de prata a que chamamos lua. Não pode ser contestada. Tem o direito divino de um soberano. Transforma em príncipes os que a possuem. Sorri? Ah, quando a tiver perdido, deixará de sorrir... Por vezes, ouve-se dizer que a Beleza é apenas superficial. Talvez seja. Mas, ao menos, não é tão superficial como o Pensamento. Considero a Beleza a maravilha das maravilhas. Só os fúteis não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, e não o invisível. Sim, Mr. Gray, os deuses foram-lhe favoráveis. Mas os deuses dão agora, para tirar depois. O senhor tem tão-somente alguns anos para poder viver a vida em real plenitude. Quando a mocidade se for, com ela irá a sua beleza, e, então, cedo descobrirá que não lhe restaram êxitos, ou terá que se contentar com os êxitos insignificantes, que a lembrança do passado tornará mais amargos do que às derrotas. À medida que os meses vão minguando, eles vão-no aproximando de algo terrível. O tempo tem ciúmes de si, e faz guerra à primavera dos seus anos. Então, ficará com a pele macilenta, as faces encovadas e o olhar mortiço. Irá sofrer tormentos... Ah! Tome plena consciência da sua juventude enquanto a possuir. Não esbanje o ouro dos seus dias a dar ouvidos a gente maçadora que tenta aproveitar o fracasso irremediável, nem perca o seu tempo com os ignorantes, os medíocres e os boçais. São esses os objetivos doentios, os falsos ideais dos nossos dias. Viva,
viva a vida maravilhosa que existe em si! Não desperdice nenhuma oportunidade, procure sempre novas sensações. Não tenha medo de nada... Um novo Hedonismo - eis o que faz falta ao nosso século. O senhor podia ser o seu símbolo vivo. Com essa sua personalidade, não existe nada que não possa fazer. O mundo pertence-lhe por um determinado tempo... No mesmo instante em que o conheci, Mr. Gray, vi que o senhor não tinha consciência da sua
verdadeira natureza, nem do que poderia ser. Havia em si tantas coisas que me fascinaram, que achei que devia falar-lhe de si. Pensei que seria muito trágico se se fosse perder. É que é tão breve o tempo de duração da sua mocidade... tão breve. As vulgares flores silvestres fenecem, mas voltam a florir. Este laburno estará tão amarelo em Junho do ano que vem como está agora. No espaço de um mês, a clematite ficará coberta de estrelas cor de púrpura, e, ano após ano, a noite verde das suas folhas vai segurar as mesmas estrelas avermelhadas. Mas nós nunca recuperamos a nossa mocidade. O pulsar de alegria, que em si lateja aos vinte anos, perde o vigor. Os nossos membros tornam-se débeis, os sentidos definham. Vamos
degenerando até nos transformarmos em fantoches hediondos, perseguidos pela lembrança das paixões que tanto temíamos, e das requintadas tentações a que não tínhamos coragem de ceder. Ah, juventude... juventude! Não há absolutamente mais nada no mundo senão a juventude. (...)
- Porquê?
- Porque tem uma juventude deslumbrante, e a juventude é a única
coisa que vale a pena ter.
- Não penso assim, Lord Henry.
- Pois não, não pensa assim agora. Um dia, quando for velho, enrugado e feio, quando o pensamento lhe tiver sulcado a fronte de rugas, e a paixão, com suas chamas medonhas, lhe tiver crestado os lábios, sentirá então uma impressão terrível. Agora, aonde quer que vá, consegue seduzir todas as pessoas. Mas será sempre assim? Tem um rosto de beleza deslumbrante, Mr. Gray. Não precisa fazer esse ar tão contrariado. É verdade. E a Beleza uma forma de Gênio, sendo mesmo superior ao gênio, pois não necessita de ser explicada. Ela faz parte dos grandes elementos do universo, como a luz do sol, a Primavera, ou o reflexo nas águas noturnas, dessa concha de prata a que chamamos lua. Não pode ser contestada. Tem o direito divino de um soberano. Transforma em príncipes os que a possuem. Sorri? Ah, quando a tiver perdido, deixará de sorrir... Por vezes, ouve-se dizer que a Beleza é apenas superficial. Talvez seja. Mas, ao menos, não é tão superficial como o Pensamento. Considero a Beleza a maravilha das maravilhas. Só os fúteis não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, e não o invisível. Sim, Mr. Gray, os deuses foram-lhe favoráveis. Mas os deuses dão agora, para tirar depois. O senhor tem tão-somente alguns anos para poder viver a vida em real plenitude. Quando a mocidade se for, com ela irá a sua beleza, e, então, cedo descobrirá que não lhe restaram êxitos, ou terá que se contentar com os êxitos insignificantes, que a lembrança do passado tornará mais amargos do que às derrotas. À medida que os meses vão minguando, eles vão-no aproximando de algo terrível. O tempo tem ciúmes de si, e faz guerra à primavera dos seus anos. Então, ficará com a pele macilenta, as faces encovadas e o olhar mortiço. Irá sofrer tormentos... Ah! Tome plena consciência da sua juventude enquanto a possuir. Não esbanje o ouro dos seus dias a dar ouvidos a gente maçadora que tenta aproveitar o fracasso irremediável, nem perca o seu tempo com os ignorantes, os medíocres e os boçais. São esses os objetivos doentios, os falsos ideais dos nossos dias. Viva,
viva a vida maravilhosa que existe em si! Não desperdice nenhuma oportunidade, procure sempre novas sensações. Não tenha medo de nada... Um novo Hedonismo - eis o que faz falta ao nosso século. O senhor podia ser o seu símbolo vivo. Com essa sua personalidade, não existe nada que não possa fazer. O mundo pertence-lhe por um determinado tempo... No mesmo instante em que o conheci, Mr. Gray, vi que o senhor não tinha consciência da sua
verdadeira natureza, nem do que poderia ser. Havia em si tantas coisas que me fascinaram, que achei que devia falar-lhe de si. Pensei que seria muito trágico se se fosse perder. É que é tão breve o tempo de duração da sua mocidade... tão breve. As vulgares flores silvestres fenecem, mas voltam a florir. Este laburno estará tão amarelo em Junho do ano que vem como está agora. No espaço de um mês, a clematite ficará coberta de estrelas cor de púrpura, e, ano após ano, a noite verde das suas folhas vai segurar as mesmas estrelas avermelhadas. Mas nós nunca recuperamos a nossa mocidade. O pulsar de alegria, que em si lateja aos vinte anos, perde o vigor. Os nossos membros tornam-se débeis, os sentidos definham. Vamos
degenerando até nos transformarmos em fantoches hediondos, perseguidos pela lembrança das paixões que tanto temíamos, e das requintadas tentações a que não tínhamos coragem de ceder. Ah, juventude... juventude! Não há absolutamente mais nada no mundo senão a juventude. (...)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O Livro e a Bagagem
Sempre que lemos bons livros nos deparamos com trechos, passagens, frases de efeito ou mesmo pensamentos que nos desperta a vontade de tê-los sempre à ponta da memória. Mas não é assim que acontece.
Nós todos, leitores ou não, sabemos, por exemplo, nossos nomes e sobrenomes, o nome do nosso planeta, que galinhas botam ovos e etc. São lembranças certeiras, mas não ficam necessariamente na ponta das nossas memórias. Então pensei em uma suposta solução: Fazer uma lista de todos estes fragmentos de bagagens que adquirimos das ótimas leituras. Dá certo? Dá errado. Falo por experiência, já o fiz e digo, é ainda pior. Você deposita aqueles preciosos pensamentos numa lista em um papel e guarda o papel – ás vezes num lugar estratégico de fácil consulta – e acontece que este ato de registrá-lo e guardá-lo faz com que nós pensemos que a lista está a salva, segura e sólida. E o que acontece? Ficamos tranqüilos com a bagagem em segurança e a deixamos de lado.
Desta forma, o esforço de lembrar se tornou o exercício de se esquecer. Então, e o que fazer? Eu leio tais trechos preciosos com muita calma e muita atenção – Deixo a naturalidade cuidar do resto.
Fugindo – não com displicência – o assunto em prol de uma relevante analogia, contarei um acontecimento real. Eu não posso tentar desesperadamente salvar na memória o momento presente em que me encontro, sentado a um banco – daqueles de praça – do campus universitário, bem acomodado e em paz numa tarde nublada de ventos frios, circundado por árvores variadas, pássaros e muito mais natureza.
De maneira semelhante a como reajo a leitura de um bom livro eu vivo com devida atenção e satisfação este momento sagrado, silencioso e saudável. É basicamente isso que aprendi com pouca leitura dos valores do povo oriental, a importância de se estar consciente do momento presente.
Acabando a precisa analogia volto ao motivo do texto, re-evocando a ideia de que preocupar-se (pré-ocupar-se)em guardar um peso de bagagem de leituras ou salvá-la em uma lista é quase como rejeitá-la à memória.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Um Texto Sem Graça
Sem graça sim, pois fazia algum tempo que já não sabia brincar com carros de brinquedo ou bonecos de luta. Talvez uns quatorze anos. Mesmo a lembrança de tal entretenimento estava meio turva, principalmente porque a ansiedade lhe corroera por dentro.
Se a universidade cumprisse com o calendário acadêmico, talvez isto não estivesse acontecendo, talvez este texto não fosse tão sem graça. Se seu tempo começa a deixar de existir por não ter referências, como por exemplos, coisas a fazer, ele começar a existir muito mais do que antes, só que agora, angustiante...
Porque, na verdade, as coisas instantaneamente boas não satisfazem mais do que elas duram. Namorar acaba com o próprio prazer de namorar minutos depois. Uma bebida acaba rápido demais, uma xícara de café te deixa ainda mais tenso, para variar. Humor cansa. Estudar se torna massacrante, a leitura vira a vontade da audição, a audição se torna uma vontade de não precisar entender o que se ouve. É o avesso total das funções normais. As musicas repetidas são enjoativas, as novas são ruins, as próprias são para outro momento. A composição não acontece, as notas não dizem nada.
A velocidade leva à redução, leva ao retorno, ao quebra-molas. As ruas só mostram saídas, as ruas expulsam da rua. O verbo não se verbaliza, o texto se descontextualiza, a vontade se torna um desespero, o desespero do devir, do tornar-se, do vir a ser... Aquele novo tempo torna-se a promessa do momento seguinte, uma salvação tardia e um remorso infeliz daquele passado preso na mancha das costas da camiseta.
A vida sem movimento torna-se um texto chato pra porra!
Um texto sem graça.
Se a universidade cumprisse com o calendário acadêmico, talvez isto não estivesse acontecendo, talvez este texto não fosse tão sem graça. Se seu tempo começa a deixar de existir por não ter referências, como por exemplos, coisas a fazer, ele começar a existir muito mais do que antes, só que agora, angustiante...
Porque, na verdade, as coisas instantaneamente boas não satisfazem mais do que elas duram. Namorar acaba com o próprio prazer de namorar minutos depois. Uma bebida acaba rápido demais, uma xícara de café te deixa ainda mais tenso, para variar. Humor cansa. Estudar se torna massacrante, a leitura vira a vontade da audição, a audição se torna uma vontade de não precisar entender o que se ouve. É o avesso total das funções normais. As musicas repetidas são enjoativas, as novas são ruins, as próprias são para outro momento. A composição não acontece, as notas não dizem nada.
A velocidade leva à redução, leva ao retorno, ao quebra-molas. As ruas só mostram saídas, as ruas expulsam da rua. O verbo não se verbaliza, o texto se descontextualiza, a vontade se torna um desespero, o desespero do devir, do tornar-se, do vir a ser... Aquele novo tempo torna-se a promessa do momento seguinte, uma salvação tardia e um remorso infeliz daquele passado preso na mancha das costas da camiseta.
A vida sem movimento torna-se um texto chato pra porra!
Um texto sem graça.
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