
... No ônibus coletivo da universidade até a cidade é uma coisa. Depois disso, a coisa é diferente, a solidão é coletiva. Nesse primeiro ônibus, todos cansados, o frio em vento entrando forte pelas janelas, as pessoas ainda riem dos acontecimentos da tarde.
Uma garota se insinuando para um rapaz claramente envergonhado; o cobrador recolhendo as passagens; o motorista, mecânico.
Quatro garotas neste mesmo ônibus, gravidas. Isso me tomou os pensamentos por um momento, passei a pensar sobre o verão deste ano, o quão produtivo ele foi, pois as "barrigas" pareciam ter tamanhos parecidos.
Pessoas algumas ainda irão à outra cidade ensinar, ou à mesma. Pessoas tristes, pessoas contentes.
No segundo ônibus, o que leva ao destino individual de cada um, todos calados. Desconhecidos sentam-se ao lado uns dos outros compartilhando frieza e passividade. Pensamentos cansados ainda mais. Pesados. Planos um tanto descrentes sobre o futuro, olhares voltados para baixo. O frio parece incomodar mais, os corações das pessoas parecem sido tocados pelo mofo. Pessoas em pé. A tristeza é aparente, a solidão, a noite chegando, o pensamento coletivo maior é sobre tomar banho, comer e dormir. O dia acaba cedo demais neste segundo ônibus. As pessoas estão tão entanguidas e frias como as suas toalhas molhadas, penduradas ao varal, pesando. Tudo é deprimente demais neste segundo ônibus.
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