O propósito aqui é abrir a mente mais uma vez, ou pela primeira vez. Não é propósito deste texto o entretenimento, tampouco a rebeldia ou a agudez de algum sentimento punk ou partidário ou etc. É propósito, sim, lembrarmos ou aprendermos a nos despir de valores morais e ficar nu para a sociedade! Parar com aquele comportamento que herdamos desde pequenos, comportamentos de retraimento, de vergonha, de negação, como quando nossos entes nos advertem: “Epa! Isto é feio, nunca diga isso na frente dos outros, nunca mais faça aquilo. Quando eu tiver conversando com alguém, não se intrometa!”
São mais importantes as visitas? São mais importantes por serem estranhos? Por serem da família? Por serem mais nobres? O que há com vocês, pais socializados? Eis aqui meu julgamento que vocês vão engolir: Vocês têm vergonha de si mesmos quando restringem os filhos! Talvez vocês tenham esquecido o que isso causa.
Este texto não fala de anarquia, ele é um soco na cara da humanidade fraca e desatenta.
O que há de vergonhoso em alguém limpar as ruas, recolher o lixo que você depositou na porta da sua casa? O que há de vergonhoso em falar que não acredita em algo ou alguém que você nunca viu? Alguém que você nunca conheceu?
Todos estão criando os filhos de acordo com a moda, de acordo com a tevê. Curioso como ninguém jovem ousa falar, ou mesmo tenham criado a possibilidade de pensar em dizer: depois de concluir o ensino médio pretendo ser pintor, pretendo trabalhar na área de higiene das clínicas e dos hospitais.
Mas não é importante ter as paredes pintadas ou as cozinhas de nossos hospitais bem limpos?
Muita gente me diz que a questão é que as profissões “melhores” (as quais reconheço como profissões que agradam aos nossos pais quando conversarem sobre as profissões dos filhos) dão mais dinheiro. O mal do homem atual é pensar que a moeda é mais importante que a satisfação. Uma vez em minha vida, por influencia dos outras pessoas, eu pensei em estudar o curso de Direito. Depois eu analisei bem, e ainda bem que era difícil e caro, pois nada tinha a ver comigo. Ler todos aqueles códigos, aqueles artigos e aquelas leis, coisas que são de muita importância para uma sociedade, mas que, repetindo, nada tinha a ver comigo. Eu seria um infeliz com dinheiro no bolso. Vocês já conheceram alguém assim?!
Tenho certeza que sim, pois eu conheço várias pessoas que até mesmo dizem: “Eu não sei como gastar meu dinheiro, sempre estou me arrependendo das minhas aquisições.”
A gente vive pensando que a próxima aquisição de um bem material vai nos tornar alguém mais feliz. Mas nem sempre isto acontece. Acontece muito de nos acostumarmos com o que acabamos de obter e alvejar a próxima satisfação materializada, embalada e à venda. Estas pessoas começam a aprender como que por osmose algo errado, aprendem que serão infelizes para o resto da vida porque a vida é cruel. Mas nós ajudamos a vida a ser cada vez mais curta, cruel e competitiva. A vida é muito rica, se soubermos assim enxergar. Na verdade a vida é um leque de possibilidades.
Sabe quanto às crianças tímidas, quando estas (por um leve “acidente”) perdem parte ou toda a timidez e a canalizam em revolta, rudez, violência, descaso, depressão e/ou vários outros sentimentos ou comportamentos? Isso se dá, às vezes, por conhecerem pessoas que muitos julgam como “à margem da sociedade” ou como “desajustados”, ou mesmo quando encontram um grupo de pessoas que estudam e pesquisam coisas alternativas, federações ou bandas de punk. Aí estes pais começam a culpar os outros, quando deviam culpar-se a si mesmos.
Agora pensem vocês que ainda não são pais e possivelmente serão um dia. Vão agir da mesma maneira? É bem aí que reside o erro. A ignorância não está em não ter aprendido o que não lhe foi exposto, mas observar o erro, já com idade e maturidade para conhecer a dualidade do bem e do mal, e repetir os erros. A hipocrisia é a gênese de muitas coisas erradas da sociedade. Fingir estar bem o tempo todo cansa. Tratar os clientes demonstrando maior atenção e amor, quando na rua, passa pelo mesmo cliente e, o desconhecendo, trata-o com o maior dos descasos.
E a hipocrisia de ser ecologicamente consciente? E todas as mentiras e suas pernas curtas para quem pára para observar?
Somos hipócritas quando desejamos um bom dia “em modo automático”. Só que esta hipocrisia vai se transmutando para uma prisão dos estímulos do corpo, da mente, das vontades e muito mais quando muito de nós, por exemplo, nos forçamos a não arrotar, ao liberar gases, não olhar para a mulher atraente do elevador, não rir demais para não parecer mal-educado ou tolo, e mais uma serie de coisas que se seguiriam numa lista enorme. Então preferimos sermos hipócritas escravos ou “mal-educados” livres? Muitos de nós ficamos condenados a não ter escolha por causa da criação, muitos de nós não paramos para pensar no assunto e levamos a vida desconfortável.
O nu social deve se despir destas, digamos assim, roupas apertadas. Todo mundo um dia acorda, chora e desabafa, ou quer morrer e não saber por quê, ou bebe demais e faz um discurso arrogante e depois fica na sombra dizendo que estava à luz da embriagues e não sabia do que estavam falando. Tudo é uma reação instintiva, uma resposta. Na certa algo machucou o calo que estas vestes apertadas causaram. Fingimos que vemos tudo turvo, fingimos que a vida é para ser assim mesmo.
Sentimos fome, sentimos sede, mas dependendo da situação, escondemos isto em prol da conveniência.
Outra coisa que vão jurar para si mesmos que não é verdade: Todos são racistas! Sem exceção. Costumo brincar dizendo que a regra é clara, pois somos todos bastardos racistas. Se o racismo não é sobre o negro, é sobre o índio, sobre o judeu, sobre o homem branco, sobre o caboclo, o de pele parda ou seja lá o que for, quando a única raça todos nós sabemos qual é: A raça humana. Tem gente que chega a formar um grupo contra os racistas, para fugir de si mesmos, fugir da culpa. Só quem está sofrendo a discriminação sabe o que se perde, o que se é menosprezado.
Outro soco na cara é o boa-vida. Quem nunca criticou um boa-vida?
Pode-se encontrar num dicionário qualquer da língua portuguesa o conceito de boa-vida: Pessoa que procura prazer na vida, evitando o máximo de trabalho. Eu gostaria de saber onde há crime nisto. Querem matar os boas-vidas por sentir aquela inveja presa na garganta. Mas se o cidadão pode, ele é livre. Você é livre pra fazer o que achar certo. Acontece que como já disseram muito antes de mim: “O inferno são os outros.” Sua liberdade não pode afetar ou sobrepujar a liberdade do outro. É só lidar com isso da melhor maneira possível, não precisa recorrer à humilhação alheia ou às agressões de toda e qualquer maneira.
Não sou a favor nem de anarquia nem de vandalismo, é bom que isso fique claro.
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